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A Inteligência das Bombas

Há trinta anos atrás, o medo era da bomba nuclear e as palavras cibernética e automação ainda não estavam incorporadas ao nosso vocabulário comum. De vídeo-games, nem notícia! Internet não fazia parte do cotidiano e os satélites artificiais eram artefatos semi-fantasmagóricos girando no espaço sideral – sem um destino deliberado, a gente pensava – de qualquer forma, nada tinham a ver com nossa realidade.
O que estamos vendo agora, neste final de março de 2003, é a imperial-impessoal “bomba inteligente” teleguiada por satélites (aqueles, que julgávamos inócuos) e computadores, levando em suas asas a tarefa de realizar um ataque de precisão cirúrgica, higiênico, asséptico, com o mínimo de sangue e sujeira possíveis.
O que, infelizmente, não está sendo possível – alguns neurônios das “armas inteligentes” não estão realizando as devidas sinapses e a “operação liberdade do Iraque” não está sendo executada de acordo com o sript de seus diretores. Parece que os coadjuvantes não entenderam o seu papel e estão fazendo tudo errado. O “exército libertador” não está sendo recebido com flores, e em sua trajetória vai deixando destroços, horror e hostilidade – e morte, desespero, ódio e fome. Sobretudo ódio. Dos guerrilheiros, dos suicidas homens-bomba.
E as bombas americanas, com a esperada performance de um videogame, monitoradas eletronicamente, com os satélites vasculhando detalhadamente cada área a ser atacada, orientadas por computadores, com margem de erro de no máximo um metro – o que é que está acontecendo com elas?
Pois estão caindo nos lugares errados, matando as “pessoas erradas”, espalhando sangue e morte, destroçando corpos, carbonizando corpos, acendendo o horror nos olhos enormes das crianças iraquianas, cujas faces esquálidas as TVs americanas ardilosamente se esquivam de mostrar.

Maura Maciel

 

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