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Contos

Pivete
_Tia, me dá um dinheiro.
_ Não sou sua tia, moleque.
O garoto não teria mais que nove anos.
_ Me passa a grana, ou te furo toda.
Ela olhou a saliência da camiseta de onde se espetava uma ponta aguda. Olhou o rosto do menino. Moreno, a boca adulta. Os olhos redondos, podia ser de angústia ou de raiva. Os olhos. Muito redondos. Ele fez um gesto agressivo em sua direção. Ela não temia levar um tiro, mas sempre tivera pavor de armas brancas - uma coisa aguda e cortante, lacerando sua carne.
Seria um canivete ou punhal, ou um caco de vidro. Talvez não fosse nada, apenas o dedo do moleque, simulando uma arma pontiaguda. Os danadinhos sabiam: as pessoas, principalmente as mulheres, sempre têm muito medo. Ela tinha. Mas, também, estava cansada de ter medo. Afastou-se brusca e seguiu em frente, com determinação e firmeza.
Atravessou a avenida e só então olhou para trás. Ele desaparecera. Mas, dentro dela, seguia a opacidade daqueles olhos redondos e negros, muito negros.

(Maura Maciel)

 

 

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