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Brasão Baependi

Maura Maciel

O CONCERTO DO MAESTRO NELSINHO

 

Gosto de música. Gosto de concertos, orquestras, corais. Fui frequentadora  assídua da Fundação Artística, onde durante muitos anos assisti a apresentações maravilhosas e conheci importantes figuras nacionais e internacionais do mundo da música. Portanto, tinha que estar em  Belo Horizonte no dia  11, e assistir ao concerto do Nelsinho. Com todo o respeito: Maestro Nelson Salomé de Oliveira.
Várias coisas me impediam de viajar nesse dia, mas a motivação era maior: deixei as coisas de lado e fui.
              Quanto valeu a pena! Foi uma noite inesquecível. Uma noite emocionante, um acontecimento raro e feliz. Desses acontecimentos que, muito tempo depois, ainda continuam alimentando a alma da gente, trazendo pedaços de alegria, sabor de alegria e sonho.
 Eu tinha motivos pessoais para ficar emocionada: o compositor das peças é um filho de Baependi, Maestro Francisco Raposo, um músico do século XIX; saber que um dos regentes seria o Nelsinho, isso nem preciso dizer;  encontrar em BH tanta gente que viajou de Baependi exclusivamente para esse evento e baependianos que moram na capital; a imprevisível e grata  presença dos componentes da Corporação Carlos Gomes de Bependi; encontrar amigos e conhecidos de Belo Borizonte, e belorizontinos que conheço, desse e de outros tipos de eventos; ver a sala ir lotando-se gradativamente, e apreciar de minha cadeira todo esse movimento que precede os concertos.
Mas a grande emoção ficou mesmo pelo maravilhamento da apresentação. Sou apreciadora de música, mas não sou nem de longe conhecedora de teoria musical; não obstante, de tanto assistir e ouvir concertos, sei o que é música boa, inda mais quando é ótima: ela bate direto na alma, afina as cordas da coração. E foi isso o que aconteceu. O maravilhamento ao ouvir essas peças, estranhamente familiares, mas indescritivelmente inovadoras; líricas e entranhadas de dramaticidade, barroquismo romântico baependiano, mescla dos portões de Brandenburgo com os portais de Baependi -  e ainda executados com virtuosismo, graças ao talento dos maestros, dos músicos e do coral!..
Temos que agradecer à Corporação Musical Carlos Gomes, em cujos arquivos foi encontrado esse tesouro de inestimável valor, datado do século XIX. A Maria do Carmo Nicoliello Pinho, que há mais de 10 anos idealizou a realização do projeto, à Funbec, que o realizou; ao Nelsinho que dedicou anos de sua vida tentando recompor  em um todo os fragmentos dessas partituras, manchadas pelo mofo e carcomidas pelas traças – cujos hiatos foram por ele preenchidos com as notas de sua alma de artista. Aos seus alunos, que compartilharam com ele o esforço e as alegrias dessa exaustiva tarefa. Ao Professor e Maestro Márcio Miranda Pontes, diretor da do Centro de Pesquisa da Escola de Música da Universidade do Estado de Minas Gerias/UEMG, onde se realizou a revisão das peças.; a Maria José Turri Nicoliello, que escreveu o libreto sobre o Mestre Francisco Raposo, o qual foi publicado pela Fundação Baependiana de Educação e Cultura/Funbec; a Ítala Nicoliello, que batalhou junto à Secretaria de Estado de Cultura a realização do projeto; à Corporação Musical Carlos Gomes, guardiã desse inestimável tesouro, o qual agora nos é devolvido.
Esta, a Banda, após o concerto, foi para a rua e ofereceu  por sua vez um espetáculo à parte. E a Rua Gonçalves Dias tornou-se de repente um pedaço de Baependi, os moradores debruçados às janelas de seus prédios, surpreendidos pelo inusitado presente de ver a banda tocar.
Foi assim, pois. Privilegiados os que lá estiveram e puderam participar do evento. Quem não pôde, ainda tem a chance de adquirir o CD e ouvir a música – bem como orgulhar-se de nosso conterrâneo Nelsinho que, com sua simplicidade e despojamento, mostra Baependi para o Brasil e para o mundo

Baependi, 14 de maio de 2011

 

 

 

 

 

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