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Brasão Baependi

O herói e o bandido

Felipe Ramos Paiva foi morto  no dia 18 de maio  por um das assaltantes que tentavam roubar-lhe o carro. Ele reagiu ao assalto e levou um tiro na cabeça. Ontem a TV mostrou a saída da prisão de um dos assaltantes. O rapaz, de 22 anos, saiu pela porta da frente, acompanhado pelo seu advogado e respondeu a um jornalista que lhe perguntou por que eles mataram Felipe: Ele morreu porque reagiu. Se ficasse na dele, não levava um tiro na testa.

Simples assim. Cínico assim. Lógico assim. Pois – por que um cidadão, jovem e estudante universitário, tem que reagir quando é assaltado? O certo é ficar na dele, ou seja: deixar que lhes levem o carro, a carteira, os documentos, a namorada. Essa é a lógica dos bandidos. Esse rapaz, que participou do assalto foi solto “numa boa”, conforme a lei: pois se apresentou espontaneamente, confessou o crime, não tem antecedentes criminais e tem residência fixa. Conclui-se, portanto que, de posse dos quatro requisitos mencionados, assassinar ou participar de um assassinato não é crime – a culpa é da vítima, do estudante que não ficou na dele.

Leio nos jornais de hoje que, embora um desembargador tenha dado habeas corpus aos 439 bombeiros presos, até o momento os bombeiros continuam presos. Ainda têm que verificar suas identificações, e um “problema no sistema” atrasou o alvará de soltura.

Que crime cometeu esses bombeiros, chamados de “vândalos” pelo governador do Rio? 

Rebelaram-se contra o governo que não atende a suas reivindicações salariais e invadiram o Quartel Central da corporação. Qual é o salário atual desses “vândalos”?  Mil reais mensais.

Conhecemos o trabalho dos bombeiros. Apagar incêndio e atravessar chamas para retirar pessoas sufocadas é só uma de suas tarefas. Freqüentemente  vemos noticias de bombeiros  que fazem partos, dão instruções por telefone e salvam uma vida que não podia esperar mais que dois minutos;  arriscam suas vidas no alto dos prédios, nos esgotos, nas pontes caídas, nas ruas alagadas, na fúria das tempestades... Se surge uma situação inusitadamente perigosa, para quem se apela de imediato? Para o Corpo de Bombeiros.

Que ganham mil reais por mês. E ainda, até o momento em que escrevo, estão presos. Senhor governador: eles “se apresentaram espontaneamente”, têm antecedentes de heroísmo, mantém um lar onde residem com suas famílias – aliás, o crime que estão cometendo é reivindicar uma vida decente para suas famílias.

Não dá para chamá-los vândalos, compará-los com bandidos – enquanto  os verdadeiros bandidos riem na nossa cara, saindo da prisão pela porta da frente, dando entrevistas a jornalistas. Que os responsáveis pela prisão dos bombeiros peçam aos Céus para jamais  precisarem de um bombeiro. Mas, se precisarem, não se preocupem: ele estará lá, onde necessitam de sua presença, disposto e enfrentar o perigo, pronto para arriscar a sua (dele) vida.

 

11 de junho  de 2011

 

 

 

 

 

 

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