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Assim Falou

José Saramago

O que aconteceria se a Península Ibérica se desprendesse do continente e lá se fosse navegando à deriva, jangada sem jangadeiro, cujo percurso todos questionam, mas ninguém entende? Como reagiriam seus habitantes, e qual seria a reação do resto mundo? Que conseqüências políticas teria tal acontecimento? O autor ironiza a posição de “desprendimento” de alguns países da Comunidade Económica Européia, para os quais “ se a Península Ibérica se queria ir embora, então que fosse, o erro foi tê-la deixado entrar.”

Tecendo mitos e histórias, José Saramago narra uma viagem apocalíptica em Jangada de Pedra, de onde selecionamos os seguintes dizeres:

Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido.

Todo o pássaro come trigo, só o pardal é que paga.

... pessoas de vontade fraca, daquelas que vão adiando decisões, estão sempre a dizer amanhã, amanhã, mas isso não significa que não tenham sonhos e desejos, o mau é morrerem antes de poderem e saberem viver deles alguma parte.

Pensando bem, não há um principio para as coisas e para as pessoas, tudo o que um dia começou tinha começado antes.

Responda-me se vê alguma ligação entre o facto de um macaco ter descido duma árvore há vinte milhões de anos e a fabricação duma bomba nuclear. A ligação é, precisamente, esses vinte milhões de anos.

... os povos são inconscientes, lançam-nos numa jangada ao mar e continuam a tratar das vidas como se estivessem numa terra firme e para todo o sempre.

Quando os homens forem todos poetas param de escrever versos.

Para que as coisas existam duas condições são necessárias, que homem as veja e homem lhes ponha nome.

Não há consolação, amigo triste, o homem é um animal inconsolável.

Quantas vezes, para mudar a vida, precisamos da vida inteira. Outras vezes uma palavra é o quanto basta.

Com a autoridade nunca se deve ser irônico, ou não percebem, e não valeu a pena, ou percebem, e será muito pior.

O homem é um ser inteligente, sem dúvida, mas não tanto quanto seria desejável.

Certos pensamentos nossos são assim, servem apenas para ocuparem por antecipação, o lugar de outros que dariam mais que pensar.

Ainda há quem não acredite em coincidências, quando coincidências é o que mais se encontra e prepara o mundo, se não são as coincidências a própria lógica do mundo.

Ninguém consegue viver para além do seu último dia.

Digo vidas, não vida, porque temos várias, felizmente vão-se matando umas às outras, senão não poderíamos viver.

Os momentos não avisam quando vêm.

Há momentos que avisam quando chegam.

Decidir é dizer sim ou não, as dificuldades é depois que vêm.

O homem é a mais adaptável das criaturas, principalmente quando vai para melhor.

... entristece de saudade da viagem que não fará.

Seria muito interessante, além de educativo, sermos uma vez por outra espreitadores de nós próprios.

Terra e país não são a mesma coisa. Podemos não conhecer nosso país, mas conhecemos a nossa terra.

É bem certo que as pessoas vivem ao lado dos prodígios, mas dos prodígios não chegam a saber nem a metade.

As pessoas sabem muito mais do que julgamos, a maior parte delas nem sonha a ciência que tem.

Uma ave só voa porque se parece com uma ave.

Nem o muito amor resiste intacto à sua própria loucura, que fará tendo de viver com a alheia.

Cada um de nós vê o mundo com os olhos que tem.

A culpa, se é preciso dizê-lo, não está nas mulheres nem nos navegadores, a culpa está nesta solidão que às vezes não se aguenta, também ela pode levar o navegador ao porto, e a mulher ao cais.

Para pouca vida mais vale nenhuma.

É sempre boa a liberdade, mesmo quando vamos para o desconhecido.

Nenhuma viagem é ela só, cada viagem contém uma pluralidade de viagens.

As pessoas nascem todos os dias, só delas é que depende continuarem a viver o dia de ontem ou começarem o dia novo.

Alardear forças o forte diante do fraco é sinal de perversão moral.

A humanidade se habituou a viver numa terra que está sempre em movimento.

A verdade está sempre à nossa espera, chega o dia em que não podemos fugir-lhe.

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Além de Jangada de Pedra , José Saramago (1922) tem publicadas no Brasil, pela Editora Scharcz, as seguintes obras:  

Memorial do Convento

O Ano da Morte de Ricardo Reis

Todos os Nomes

História do Cerco de Lisboa

Ensaio sobre a Cegueira

Cadernos de Lanzarote

Ensaio sobre a Lucidez

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